sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

LIVRE ( WILD )

Filme sério é filme sério, não pode vacilar. Somos mais exigentes, principalmente quando baseado em fatos reais.

Livre é um filme sério, baseado na vida de Cheryl Strayed, interpretada por Reese Whiterspoon, que aliás, também assina a produção. 

O filme conta a história de Cheryl que após a morte de sua mãe, se perde em si mesma,vivendo o lado mais escuro da vida. Drogada, promíscua, acaba se divorciando e perdendo o sentido da vida.
A fim de exorcizar seus demônios, se redimir, se perdoar pela vida louca e buscar o auto-conhecimento, resolve encarar a conhecida Pacific Crest Trail, uma caminhada de 4.200 Km, que vai do México à fronteira do Canadá, passando pela costa oeste dos Estados Unidos.
Sem nenhuma experiência em trilhas, Cheryl sente, literalmente, na pele, as consequências da escolha que fez.

A trilha sonora é legalzinha, as imagens são lindas, o filme é bom, a atriz está bem, mas confesso que não me emocionei. A longa caminhada que cansou Cheryl, muitas vezes também me cansou. Assim como ela estava louca para chegar ao fim, eu também queria que o filme terminasse.
Aquela famosa fórmula determinação + dedicação + superação = sucesso é muito clichê.
Ainda que baseado na vida real, ainda que mesclando memórias da personagem, ainda assim, Livre está preso a muitas coisas que já vimos.

Reese Whiterspoon está indicada ao Oscar na categoria Melhor Atriz. Na minha opinião, não leva. Essa estatueta está prometida para Patricia Arquette por Boyhood, já postado aqui no blog.

Apesar de tudo, não desanime. Se não viu Livre, veja. Ainda dá tempo.

A ENTREVISTA ( THE INTERVIEW )

Kim Jong-Un, aquele homenzinho ditador da Coreia do Norte, inescrupuloso, desrespeitoso, torturador,inseguro, que dirige aquele país com mãos de ferro e adora fazer ameaças aos Estados Unidos. Lembra dele? Pois é. A Entrevista é um filme escrachado, debochado, a altura do Kim.

Por conta desse filme polêmico para os Coreanos do Norte, houve um ataque aos estúdios da Sony, produtora do filme, e diversas ameaças, caso a produção fosse exibida. Muitos cinemas americanos suspenderam a estréia , em um primeiro momento, mais depois liberaram. O que, claro, tinha que acontecer.
O Sr. Kim ofendeu Obama de forma racista, e com isso se tornou mais ridículo do que costuma ser.

Quem apostou da produção foi o Seth Rogen, que não costuma fazer nada expressivo. Nesse caso escreveu o roteiro, atuou, dirigiu e participou da produção, junto com James Franco, que também atua no filme.Aliás, essa dupla já trabalhou junto cinco vezes, sempre em filmes do tipo comédia.

Em A Entrevista não seria diferente. No filme James Franco é um entrevistador de TV,de quinta categoria, especialista em fofocas e vexames de celebridades. Enquanto Seth Rogen interpreta seu produtor.
Após gritos e sussurros, os dois resolvem fazer uma entrevista histórica com Kim Jong -Un. Acontece que a CIA se mete e aproveita a chance para tentar matar o ditador, através dos dois enrolados.
O que se vê a partir daí é uma sucessão de confusões que, na ficção, dá certo.

Quem quiser ir ao cinema sem grandes expectativas, só para se divertir um pouco, com um filme sem valor cinematográfico algum, e tirar um sarro, mesmo que de mentirinha, do bobalhão Kim, aproveita. O filme estreou por aqui, ontem.

A propósito, o ator que faz o Kim Jong - Un é bem simpático.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CAMINHOS DA FLORESTA


Das estreias da semana, continuo achando que a Teoria de Tudo ainda é o melhor filme. Ganha de Birdman ( que a crítica está adorando ) e Caminhos da Floresta.

Teoria de Tudo e Birdman já foram comentados aqui no blog, quanto a Caminhos da Floresta.....

Bem, o filme da Disney, aposta em histórias da Disney. Mistura personagens famosos como a Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, a bruxa malvada ( que tem sempre presença em todos os filmes ) e João e os feijões mágicos. O resultado é uma salada sem charme, sem emoção e empatia.
Nem mesmo Meryl Streep, como a bruxa, é capaz de salvar o filme. Meryl está Meryl.
Em alguns momentos o filme chega a ser chato. São 2h4m de um musical bem sem graça.


Um padeiro cujo pai  foi amaldiçoado pela bruxa, só poderá ter filhos com sua esposa se trouxer para a feiosa, uma vaca branca que dê leite, um sapato dourado, uma capa vermelha e um cabelo dourado. Entendeu como aqueles personagens entram na história?

A vaca ele consegue com um garoto, que vende ao padeiro uma vaca em troca de feijões mágicos. O sapato dourado a esposa rouba da Cinderela, por sinal, muito sem graça. A capa vermelha é conseguida com Chapeuzinho Vermelho, após salvá-la do Lobo Mau, interpretado por Johnny Deep, que está no filme de passagem.E o cabelo, advinha? Rapunzel.
Para complicar a história aparece o gigante ( do feijão mágico, lembra? ).

Na boa, nem criança aguenta esse filme. Não perca tempo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A TEORIA DE TUDO ( The Theory of Everything )

A Teoria de Tudo está indicado ao Oscar na categoria melhor filme, melhor ator para Eddie Redmayne e melhor atriz para Felicity Jones. 

A crítica não tem sido muito generosa com o filme, baseado na biografia do brilhante físico Stephen Hawking, que  foi diagnosticado com uma doença degenerativa aos 21 anos. Os médicos lhe davam mais dois anos de vida, mas teimosamente, ele insistiu em viver muito mais, e hoje com 73 anos, continua na Universidade de Cambridge, onde fez seu Doutorado em Cosmologia, ocupando o cargo de professor emérito, antes ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage.

Hawking que foi um jovem alegre, divertido e sedutor não perdeu essas qualidades mesmo após ver seu corpo se degradando, pouco a pouco. Ele tinha uma única preocupação. Seu cérebro também estaria comprometido pela doença? Os médicos garantiram que não e também seus órgãos reprodutores não seriam afetados.

O filme conta a história de Hawking desde jovem quando conheceu Jane, sua esposa e companheira, que esteve com ele em todos os momentos, acreditando que podia amá-lo, apesar de tudo, contra todos os prognósticos, até o limite máximo da doença, quando já famoso e reconhecido, mundialmente, por sua tese sobre o Tempo e a origem do Universo.

Eu adorei o filme e com certeza daria o Oscar de melhor ator para Eddie Redmayne, que está incrível em sua atuação. A forma como vai modificando sua postura, jeito da boca e do olhar são impressionantes.

A TEORIA DE TUDO é imperdível.

FOXCATCHER - Uma história que chocou o mundo

Foxcatcher é baseado em uma história verídica. Não sei se a história real é chata ou se o diretor fez um filme chato. Falando assim, parece que o filme é ruim. E não é, o filme é bom. Mas é chato. Talvez porque seja muito grande (2h14m) para a história contada. Talvez se tivesse menos 20 minutos, fosse só um filme bom.
Quem gosta de luta greco-romana vai se deliciar. Só tem isso.Não mentira. Tem também um homenzinho inseguro, incompetente, viciado, autocentrado, que passa a vida tentando mostrar para a mãe que ele é o cara. Mas é difícil até para uma mãe acreditar. Ela tem certeza que o filho é um fiasco. Rico, porém um perdedor.

Mark Schultz, vivido por Channing Tatum, que vamos combinar não é grande coisa como ator, é um campeão olímpico de luta greco-romana, que sempre treinou com seu irmão mais velho, David,também uma lenda no esporte.O ator Mark Rufalo faz o irmão David, com dignidade e surpreende. Não a toa foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Não leva, na minha opinião. Mas está muito bem.

Mark é envolvido pelo milionário Du Pont,( o tal baixinho inseguro a que me referi), e por tudo o que ele lhe oferece. Salário nunca antes imaginado, condições de treinamento, possibilidade de integrar sua equipe e morar na propriedade do milionário.

John du Pont é vivido pelo ator Steve Carell que usando prótese no nariz e nos dentes, está quase irreconhecível. Carell foi indicado ao Oscar como melhor ator, mas na minha opinião, não leva.

Graças a personalidade difícil de Du Pont, a vida de Mark se torna bem difícil e a de David, também envolvido, tem um final inesperado.

Vale dar uma olhada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

ANTES DE DORMIR

Em 2004 Drew Barrymore e Adam Sandler atuaram no filme, fofo, Como se fosse a Primeira vez.
Um romance bem bonitinho que tinha um único problema. A mocinha da história, após um acidente de carro, tinha perdido a memória de curto prazo. Ou seja, todo dia era um recomeço, pois não havia memória do dia anterior. Original não?

Pois é. Antes de Dormir tem a mesma sinopse, o que o torna bem pouco original. A personagem de Nicole Kidman, Christine, após um "acidente" perde a memória de curto prazo. Todos os dias é um novo dia, em que seu marido Ben, vivido por Colin Firth, precisa dizer a ela quem é ele e quem é ela. Seu marido usa um painel com fotos, na tentativa diária de lembrá-la de alguns momentos, já que Christine não tem memória dos últimos 20 anos.
Em paralelo, ela faz um tratamento, sigiloso, com um neurologista, sem que seu marido saiba.

Qual a diferença entre os dois filmes? O primeiro é um doce romance e o segundo tem contornos de suspense e maldade.

O filme não chega a surpreender, mas se ainda estiver levando por aí, não custa dar uma olhada.

A ROSA DA MEIA NOITE ( The Midnight Rose )

Definitivamente, me tornei fã de Lucinda Riley. A escritora de As Sete Irmãs, livro sobre o qual já escrevi aqui no blog, também escreveu de forma, fascinante, A Rosa da Meia Noite.
O livro que mistura romance e suspense, nos remete ao início do século passado para contar a história de Anahita, uma indiana que passa a vida, até completar 100 anos, a procura de seu filho Moah, fruto de seu amor por Donald, jovem aristocrata inglês.
Nessa aventura, percorremos palácios de marajás e mansões da Inglaterra. Conhecemos costumes e hábitos da India antiga, assim como o mundo e os preconceitos ingleses. 
Atravessando quatro gerações, a história arrebatadora de Anahita se cruza com a de Rebecca, uma atriz americana, que está na Inglaterra, filmando uma história, do início do século 20, ambientada na mesma mansão, frequentada por Anahita. 

Através de Ari, bisneto de Anahita, e encarregado por ela de descobrir o paradeiro de seu filho, nos embrenhamos por vidas intensas, sofridas e incríveis, dos personagens de A Rosa da Meia Noite.

Não se deixe intimidar pelas quase seiscentas páginas do livro.O pensamento voa, a curiosidade atiça e a vontade de saber o que acontece depois, e depois, e depois, torna quase impossível não devorar esse livro de uma só vez.
Leitura obrigatória para quem gosta de um romance.